{"id":16744,"date":"2015-04-23T16:36:34","date_gmt":"2015-04-23T16:36:34","guid":{"rendered":"https:\/\/mediashots.org\/?p=16744"},"modified":"2023-09-13T13:28:40","modified_gmt":"2023-09-13T13:28:40","slug":"autenticidade-o-novo-luxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mediashots.org\/en\/autenticidade-o-novo-luxo\/","title":{"rendered":"Autenticidade o \u201cNovo Luxo\u201d"},"content":{"rendered":"<p>*<em>Extrato adaptado de um texto de V\u00edtor Belanciano do Jornal P\u00fablico<\/em><\/p>\n<p>A revista global de tend\u00eancias\u00a0<em>Monocle<\/em>\u00a0realizou a sua primeira confer\u00eancia internacional em Lisboa, propondo um conjunto de reflex\u00f5es sobre a qualidade de vida urbana. Autenticidade, mem\u00f3ria e escala humana s\u00e3o vitais.<\/p>\n<p>Luxo pode ser ter dinheiro para j\u00f3ias ou grandes marcas. Mas tamb\u00e9m pode ser ter tempo. Um estilo de vida humanizado. Um ambiente onde se respira autenticidade. Estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com o que se consome. Acreditar na mem\u00f3ria como forma de projetar o futuro. E privilegiar as liga\u00e7\u00f5es tang\u00edveis ou as rela\u00e7\u00f5es de proximidade.<\/p>\n<p>\u201cA nova defini\u00e7\u00e3o de luxo n\u00e3o \u00e9 grandes marcas, semelhantes em todo o lado, mas a autenticidade, a hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria, porque \u00e9 isso que atrai as pessoas \u00e0s cidades\u201d, arriscou o director da\u00a0<em>Monocle<\/em>, Tyler Br\u00fble, na primeira confer\u00eancia internacional desta revista de tend\u00eancias.<\/p>\n<p>O ideal contempor\u00e2neo de qualidade de vida, de lazer, de consumo cultural ou de sociabiliza\u00e7\u00e3o que emite a influente revista brit\u00e2nica de impacto global passa por a\u00ed. N\u00e3o surpreende, por isso, que para a confer\u00eancia (<em>The Monocle Quality Of Life<\/em>) tenha escolhido um painel que revelou personalidades, projectos e pr\u00e1ticas de todo o mundo, que acabam por atribuir sentido a essas propriedades.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o espantou a escolha de Lisboa. Por um lado, \u00e9 a 9\u00aa cidade do mundo onde a revista tem mais leitores e, por outro, a confer\u00eancia, que aconteceu no hotel Ritz, teve o apoio da Secretaria de Estado do Turismo.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de jornalistas, estiveram presentes mais de 150 delegados, dos EUA, Jap\u00e3o, Austr\u00e1lia e Europa, entre empres\u00e1rios, pol\u00edticos, designers ou arquitectos, a maioria representando empresas ou institui\u00e7\u00f5es que para fazerem parte da experi\u00eancia\u00a0<em>Monocle<\/em>, durante tr\u00eas dias, desembolsaram 1.500 euros. \u201c\u00c9 muito? Depende da perspectiva\u201d, diz-nos o b\u00falgaro Ivan Koleliev,\u00a0<em>manager<\/em>\u00a0numa empresa global de consultoria, sediada no Canad\u00e1, ligada a projectos cient\u00edficos. \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas o conhecimento, \u00e9 tamb\u00e9m a interac\u00e7\u00e3o ou as novas coopera\u00e7\u00f5es, ou seja, isto \u00e9 tamb\u00e9m um investimento.\u201d<\/p>\n<p>No n\u00facleo da maior parte das interven\u00e7\u00f5es esteve a no\u00e7\u00e3o de \u201cmarca\u201d, essa ideia de que \u00e9 poss\u00edvel uma publica\u00e7\u00e3o estar agregada a produtos ou acontecimentos se tiver qualidade e credibilidade. \u201cUm bom exemplo \u00e9 este evento, o futuro passa por aqui, pelas experi\u00eancias\u201d, atirou o americano Andrew Keen, que acabou de editar o livro\u00a0<em>The Internet Is Not The Answer<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cSe dermos \u00e0s pessoas apenas o que elas querem, sem irmos mais al\u00e9m, fazendo um jornalismo de contabiliza\u00e7\u00e3o de cliques da Internet, qualquer dia s\u00f3 publicamos v\u00eddeos de gatos\u201d, ironizou Andrew Keen, comparando o regresso do vinil \u2013 no campo da m\u00fasica \u2013 \u00e0 reac\u00e7\u00e3o que prev\u00ea vir\u00e1 a acontecer com os jornais.<\/p>\n<p>[vc_separator type=&#8221;transparent&#8221; position=&#8221;center&#8221; up=&#8221;2&#8243; down=&#8221;0&#8243;]<blockquote class=' with_quote_icon' style=''><i class='fa fa-quote-right' style=''><\/i><h5 class='blockquote-text' style=''>\u201cA nova defini\u00e7\u00e3o de luxo n\u00e3o \u00e9 grandes marcas, semelhantes em todo o lado, mas a autenticidade, a hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria, porque \u00e9 isso que atrai as pessoas \u00e0s cidades\u201d, arriscou o director da <em>Monocle<\/em>, Tyler Br\u00fble, na primeira confer\u00eancia internacional desta revista de tend\u00eancias.<\/h5><\/blockquote>[vc_separator type=&#8221;transparent&#8221; position=&#8221;center&#8221; up=&#8221;3&#8243; down=&#8221;0&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<p>O sueco Oscar Engelbert, que constr\u00f3i e vende habita\u00e7\u00f5es, argumentou que, para al\u00e9m da qualidade, o que acaba por criar mais-valia e apet\u00eancia no comprador \u00e9 a mem\u00f3ria do edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Como num museu. \u201cPorque \u00e9 que em plena idade digital as pessoas v\u00e3o mais do que nunca a museus? Porque querem autenticidade e qualidade. Querem o que apenas podem ver nos museus.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais digitais somos, mais queremos a experi\u00eancia da coisa aut\u00eantica&#8221;, afirmou o historiador de arte Taco Dibbits, do Rijksmuseum da Holanda, secundado pelo director do Museu Palestino, Jack Persekian: \u201cas pessoas querem sentir de forma tang\u00edvel. Querem tocar. Querem sentir que pertencem e t\u00eam desejo de partilhar essa sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a com outras.\u201d<\/p>\n<p>Falou-se tamb\u00e9m de identidades, claro. Em pa\u00edses estabelecidos, como a Inglaterra ou a Holanda, &#8220;as colec\u00e7\u00f5es pertencem ao mundo, deve existir partilha da mem\u00f3ria&#8221;, analisou Martin Roth. No caso palestino, &#8220;olha-se mais o futuro&#8221;, exp\u00f4s Persekian, acrescentando que \u00e9 uma responsabilidade pensar \u201ccomo \u00e9 que um museu pode definir uma na\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>De preserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se falou a prop\u00f3sito do regresso dos fazedores, dos art\u00edfices, das t\u00e9cnicas e dos saberes que nas \u00faltimas d\u00e9cadas se foram tornando raras e que agora \u00e9 poss\u00edvel aplicar em novos contextos. O gal\u00eas David Hieatt fundou uma companhia de\u00a0<em>jeans<\/em>\u00a0com oper\u00e1rios de uma antiga f\u00e1brica, iniciando um bem-sucedido processo de reconvers\u00e3o: \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas o produto final que interessa, \u00e9 tamb\u00e9m o processo. Em causa est\u00e1 um saber que se iria perder e que \u00e9 garantia de qualidade e distin\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que tamb\u00e9m existe uma hist\u00f3ria, a daquela f\u00e1brica e das suas pessoas, que deve ser valorizada.\u201d<\/p>\n<p>Dessa possibilidade de juntar pessoas, \u00e0s vezes antagonistas, \u00e0 volta de um projecto que as desloca do conflito, falou o liban\u00eas Kamal Mouzawak, respons\u00e1vel por um mercado em Beirute que agrega tradi\u00e7\u00f5es e agricultores de pequena escala. \u201cMake food, not war\u201d, brincou ele, falando da possibilidade de aproximar comunidades \u00e0 volta do mesmo objectivo.<\/p>\n<p>Catarina Portas, fundadora de\u00a0<em>A Vida Portuguesa<\/em>, salientou que alguns pa\u00edses sabem comunicar o que t\u00eam para vender, \u201cmas deixaram de saber fazer\u201d, porque n\u00e3o t\u00eam apostado na \u201ctransmiss\u00e3o do saber, com mem\u00f3ria, com diferen\u00e7a, com identidade.\u201d \u00c9 preciso uma outra forma de olhar para as coisas, \u201cmais tang\u00edvel\u201d, disse, lamentando que n\u00e3o exista muita consci\u00eancia dessa riqueza e heran\u00e7a, aqui.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que\u00a0Tyler\u00a0Br\u00fble argumentou que Portugal era um pa\u00eds que \u201cfazia sentido\u201d, porque reunia as caracter\u00edsticas ali nomeadas por quase todos. \u201cAutenticidade, mem\u00f3ria, sentido de lugar.\u201d<\/p>\n<p>Um luxo, portanto. O que falta para o activar? Longa conversa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista global de tend\u00eancias Monocle realizou a sua primeira confer\u00eancia internacional em Lisboa, propondo um conjunto de reflex\u00f5es sobre a qualidade de vida urbana. Autenticidade, mem\u00f3ria e escala humana s\u00e3o vitais.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16527,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[291,295],"tags":[302,303,309],"class_list":["post-16744","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-identity","category-tendencies","tag-conference","tag-culture","tag-inspiration"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16744\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mediashots.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}